Por Brasília Todos passarão, mas apenas os Privilegiados permanecerão…
- Eridam Pimentel

- 21 de abr. de 2016
- 2 min de leitura
Há 40 anos, quando cheguei em Brasília, vindo da minha cidade natal, Fortaleza-CE, ouvi de um falante e sábio taxista esta afirmação: por Brasília todos passarão, mas apenas os privilegiados aqui permanecerão. Naquela ocasião eu tinha apenas 23 anos de idade, cheia de expectativas e de medo, pois era a primeira vez que me ausentava de casa sem a "proteção familiar", para me aventurar diante de uma vida inteiramente nova para mim. Para começar, até o clima era desanimador, risos. Uma daquelas tardes de janeiro chuvosa.
O Eixão, sua principal via de tráfego rápido, vindo do Aeroporto ou de outras cidades, ainda estava quase sem movimento de veículos. Ladeado por prédios e mais prédios praticamente inhabitados. Pelo menos não se via uma viva alma debaixo daqueles prédios uniformes e constantes… O único barulho que eu podia ouvir, além daquela forte chuva, era a conversa intermitente do taxista, que insistia em me dizer que minha vida iria mudar totalmente a partir daquele dia, pois como tantas outras pessoas que vinham para Brasília, eu também passaria a fazer parte do rol dos privilegiados, cuja principal missão era criar novas oportunidades para outros membros de minha família. Achei aquilo totalmente estranho e sem nexo, conhecendo bem o ponto de vista dos meus parentes com relação a qualquer tipo de mudança… Mas como eu dizia no início, o falante e sábio/vidente taxista sabia exatamente do que estava se referindo durante aquela longa conversa. Alguns anos se passaram e, realmente, eu permaneci por aqui e no decorrer desse tempo me tornei, de certa forma, um instrumento de motivação para que alguns membros da minha família resolvessem vir morar ou passar grande temporada por aqui. Em Brasília pude me realizar profissionalmente, conheci grandes amores e importantes amigos. Me casei e tive uma filha maravilhosa que, acredito ter sido o maior significado dessa minha estada por aqui. Como aludiu o falante taxista, quase todos os meus familiares passaram, mas apenas os privilegiados conseguiram permanecer até hoje. Apesar de ter tido várias oportunidades de atravessar alguns oceanos, conhecido lugares fantásticos e inesquecíveis, no entanto somente aqui em Brasília me sinto em casa. Quando retorno de outras cidades e pego o Eixão, com destino à minha casa, é como se abrissem vários braços para me receber, me apertar, e me desejar um feliz retorno...





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